
Olho para uma folha em branco e não sei que o escrever.
Minha alma dita versos e palavras que ecoam, mas no meio da escuridão é difícil
obter alguma conclusão.
Nós vivemos de acordo com aquilo que nos foi incutido, com
os ideais que nos foram sedimentados, os quais ponderadamente vamos
questionando de forma a evocar a nossa própria essência, o nosso “eu”.
No meio de malas ensacadas, enroladas fugazmente no rescaldo
dos incêndio, vejo a minha vida passar, de mala para mala, cada uma contando
uma história, um determinado período sucinto da minha breve e curta vida. Onde
andaste tu? Que fizeste ao teu próprio actor nessa contracena ousada?
O pano cai e o baque é de tal maneira forte que abala todo
o som do drama. Ouve-se o silêncio, o silêncio de uma quimera dilacerada, cuja
culpa tem fonte arcaica. Onde andaste tu? Que te diziam os teus olhos? Cegos
com certeza. A porta abre-se, a cortina sobe, eis que surge a oportunidade, eis
que surge a bonança, a paz de espírito, o equilíbrio... viras-lhe as costas,
porque simplesmente o que tu idealizaste foi o amor. Onde andas tu?
Amor... amor... amor... torna-nos mais fortes, faz-nos
mover, motiva-nos. Tretas diria eu! Porque
me parece antes o contrário? Porque não a dor? Sofremos, mas quando nos
erguemos somos mais fortes, aceitamos realidade de outra forma, crescemos,
porque o mundo não é bonito e os contos de fadas infelizmente são isso mesmo, contos.
São formas de a sociedade incutir regras, formas de estar, em que está patente
o bom e o mau, o herói e o vilão, sendo que o bem prevalece sempre. Que bem é
esse e quem o designou de tal forma?
Rejeito oportunidades, recuso bem-quereres que me abraçam,
simplesmente porque não pensei mais além, esqueci-me de ser feliz. E nesta panóplia qualquer um entra, porque
alguém assim o permitiu...
Olho para trás, para o tempo em que o oceano surgia por
entre dunas, por entre águas cingidas, no silêncio, no sigilo, onde o sorriso e
brilho de tais olhos era natural.
Ficaste ai? São pensamentos soltos de um passado sem retorno...
Olho a minha volta... as malas ainda aqui estão.
Gonçalo
Camões
11/12/2013