segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Temor Cogito.


Há alturas em que se olha para a nossa vida e ela parece não sorrir e apesar de tudo lembra-se o passado e parece que ficamos relutantes: por um lado a questão do arrependimento está presente, mas por outro são coisas que nos fazem crescer, porque o ser humano passa a vida a errar.
Eu choro às vezes, não tenho medo ou problemas em admiti-lo, nem temos todos barreiras de ferro, ou melhor ninguém tem, logo chegamos a um ponto em que as forças caiem por terra, procuramos uma saída, mas estamos perdidos, ouvimos o que não queremos, apetece-nos mudar toda a nossa a vida sem pensar nas consequências que esses actos nos poderão trazer, esquecemos tudo, somos egoistas ao ponto de chegarmos a pensar que só existe um "eu"... e dói, dói ao ouvir tantas coisas, dói ao não saber lidar com os sentimentos, ficamos com medo e voltamos à nossa "casca". Eu sou assim, tenho medo, só quando me sinto demasiado atacado na minha vida é que faço algo, é que vou contra a maré, porque de resto fico a ver os comboios passar, vejo as pessoas a seguir rumo pela sua viagem e eu a ficar na mesma e constante paragem.
Eu adoro o Inverno, apesar de este ser deprimente, é um facto, adoro o frio, adoro andar à chuva e chegar a casa encharcado, tenho pena é de andar extremamente exausto e a minha memória ir-se perdendo aos poucos, ficando coisas vazias para trás das quais eu tenho uma vaga memória de terem acontecido, mas não me conseguir lembrar quando, porquê e de onde veio tal coisa.
Fico frustrado realmente por ver que não saiu do mesmo ponto e que mesmo ansiando tormentosamente por algo, escassa a força para investir naquilo que me faz feliz, lutar pelos meus próprios sonhos.
Ficam as palavras, ficam as emoções, fica o toque de uma mão que se adeja a nós, ficam memórias passadas, mas tudo vai ficando para trás, mas a vontade de nos agarrar ao futuro e a destreza para tal não se revelam.
Somos seres humanos... temos dificuldade em embarcar em algo novo, tentar, mostrar que é possível, eu sei, já lá várias vezes andei lá perto... aí sei lá!
Na minha pequena mente só quero acreditar que é possível, só quero ter esperanças que há algo novo aí à espera...
Vivo em quimera, abraço este estado ilusório, evoco outros que não se manifestam... existe algo para mim?
Agora ficam as palavras como sempre permanecem e são ouvidas de tempos para tempos. Memória que é feito de ti?
Chove, fico-me agora pelo meu leito, a chuva aquieta-me, esmiuço os meus pensamentos, quanto mais penso, maior dor padeço. Cogito espectante no dia em que algo me vai sorrir.
Atordoa-se a voz, adormece o pensamento. Que é de ti coragem?

Gonçalo Camões
22/11/2010

P.S.
I'm still waiting...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Vago Alento.


No alento do comboio os meus olhos vêm aquilo que não está nitido... por alguma razão este lugar tão vago, tão pouco pessoal se tornou no meu meio de chegar aos pensamentos. Talvez porque aqui tudo é vago, ninguém sabe quem sou ou sequer cogita sobre a minha existência, aqui apenas se vêm vidas que saiem de paragem em paragem.
Eu penso naquilo que vejo nos outros, vou a reparar nos seus gestos, no casal de namorados que vai ao fundo da carruagem e eu, com um papel e um lápis na mão, a escrever. Sinto saudades de amar e sobretudo de ser amado... não estou a referir-me obviamente aos beijos que uma pessoa dá a outra em que proferem palavras soltas, muito pouco dignas de sentimento, estou a falar de paixão, amor, ter vontade de estar com aquela pessoa a todo o momento, não quero brincadeiras que têm a duração máxima de um dia, isso não é nada!
Chegou uma altura da minha vida em que a vontade de estar no sofá enroscado a alguém, a ver um filme e a comer pipocas e saber que vou dormir com essa pessoa, saber que ela vai estar lá amanhã e no dia seguinte, por aí fora, é algo pelo qual anseio muito mais, do que andar por aí com um ser "desconhecido" todos os dias.
Provavelmente estou a tomar uma atitude demasiado adulta para os meus dezoito anos, mas a vida é minha e eu não digo que seja eterno, simplesmente digo que seja de longa duração.
Chegou a altura do Natal, do Inverno, do frio que, por acaso, eu adoro. Fico sempre a visualizar-me a passar na baixa Lisboeta com alguém, a ver as luzes de natal e a comer castanhas, enquanto bebo um café gigante daqueles do Starbucks, ideal seria se nevasse, mas isso já é pedir muito.
A nostalgia invade-me sempre um pouco é verdade, relembra-me a minha mãe a apertar-me o casaco gigante, maior do que eu, a levar-me a passear com o meu pai, a jardins, a ver as luzes, a ir ao cinema e ver sempre na minha árvore um monte de prendas gigantes e a minha familia, na altura em que ainda se podia chamar assim, a minha familia toda a festejar enquanto abriamos as prendas.
Gostava de poder partilhar essas coisas com alguém, apesar de serem passado ficam sempre na minha memória... Talvez assim aquele sorriso ingénuo e verdadeiro da criança que havia em mim venha a renascer um dia... há sempre um amanhã.

Gonçalo Camões
15.11.2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Ensaio do Ridiculo!


Poucas horas de sono me restavam... estava acordado desde as sete da manhã e tinha acabado por adormecer, nessa noite, o relógio já batia as cinco horas e meia da madrugada. Chegava a tarde após as aulas e, no meu pensamento, só surgia a questão «quando chego a casa para dormir»?
E lá estava eu, sentado no comboio, aguardando ansiosamente a sua partida. Durante todas as horas em que me mantive a pé fui assolado por uma interminável afluente de emoções, pois a minha pequena máquina que faz funcionar o corpo começava a bater. Meu Deus! Que sentimento horrível asqueroso me vem aí, logo agora que o meu ser tinha encontrado a quietude, batem-lhe à porta. Desgraçado!
Não obstante aos factos, diga-se de passagem, já há algum tempo que este sente falta de companhia e, por isso mesmo, dorme todas as noites agarrado a um estúpido boneco ridiculamente gigante, que para além de não fazer companhia nenhuma é super desconfortável gerando-me uma terrível dor de costas matinal. Ridiculo!
Nesta ostentação de poucas horas de sono há que acrescentar o trabalho, razão pela qual o direito a dormir se tornou num privilégio.
A agravar à questão do sentir-se só e do cupído querer andar a fazer das suas, acrescem as cuecas do desgraçado que pelos vistos já têm dificuldades em manter-se quietas no sitio. Ridiculo!
Nesta parafrenália toda lá fica o desgraçado escrevendo no comboio, enquanto os pés já gritam para que sejam retirados da prisão que o homem inventou, as botas! E mais não se diz. Saiu na próxima paragem. Vou dormir. Até já. Ridiculo!

Gonçalo Camões
13/10/2010

P.S.
texto mais ridiculo que escrevi até hoje.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Discurso do Céptico


São horas... são horas que o comboio passa e a minha vida estagna, fico sentado naquele momento e vejo a vida correr em frames nas promessas perdidas que ao longo do tempo me vêm fazendo, em vez disso tentam apartar-me aos poucos e poucos, às vezes, fazendo uma tentativa mais abrupta, apartando-me daquilo que eu gosto ou das coisas pelas quais me perco. Ai! Estou cansado, saturado, normal nas horas que já correm e tudo é tão vago, o meu pensamento é vago, o desassossego é vago, a discórdia é vaga, o colóquio das palavras é vago, a interrupção é vaga... Ai!
Suspiro, vou puxar do cigarro, pelo menos esse vicio não tentam eles afrontar, dá-me paz, embora eu saiba ao mesmo tempo as consequências que este deixa na anatomia deste pobre ser... Ui! Ai que já me estou a vitimizar, como diria o outro. Reflecte desgraçado que a tua alma está só, embora tenhas a tua irmã no outro quarto e uns quantos idiotas a gritarem na rua, devem estar alcoolizados, neste momento preferia juntar-me a eles!
A vida até que não é má, muitos afirmam que o é, mas afinal o que é que há para além dela? Já alguém experimentou outra? Poupem-me os dogmatismos e a ressureição! Idiotas!
Idiotas tantos o são, passam a vida a meter-se na vida que lhes é alheia, olham para o umbigo dos outros e não vêm a merda que o são. Idiotas!
E então? Não podemos dizer: "Viva os Homossexuais!, Viva a Emancipação das Mulheres!, Viva a Emigração Ilegal, Somos todos cidadãos do Mundo!" Uhm... desgraçados os preconceituosos, Idiotas!
Falam de terroristas... terroristas somos todos, matamos nem que seja com ciúme e ódio, petrificamos com o olhar, apontamos o dedo ao outro, sem antes o apontarmos a nós! Ah... mas não me julguem por perfeito, a carapuça serve a todos, incluindo a mim.
Quanto a mim... ver-me-ão deambular por aí... Idiotas!

Gonçalo Camões
6/10/2010

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Gravity.


Eu ponho-me a olhar para a vida, uma vez mais, nas acções que a ela se resumem, nas críticas que a ela são feitas e nos pedaços de história que nela ficam por contar. Chego à conclusão de que o amanhã há-de ser sempre algo involto em mistério sobre o qual muitas premonições recaiem. Não é simples ou congénito, mas assim se aparenta. E nós sonhamos, sonhamos porque essa é a arte que temos para sermos diferentes, porque é na quimera que as nossas maiores e profundas aspirações deixam cair a cortina e a vontade se revela. É isso que nos torna diferentes, que diz quem nós somos. Nós, bem... nós só transpomos o ilusório para o real.
Eu sinto-me diferente e não tenho dúvidas que o desejo de amar é algo potente que nos faz sentir humanos e felizes. E é tão apreciativo, tão beneficiante, torna-nos jovens. Faz de mim um jovem e não o contrário, porque enquanto sonharmos, enquanto não perdermos o desejo por algo, seremos sempre jovens, mesmo que a nossa idade já transpareça um corpo fisicamente débil.
Eu, por exemplo, agarro na caneta e escrevo num pedaço de livro, algo que conta uma história, e, não querendo intrometer-me na mesma, deixo apenas o meu testemunho, as minha emoções, as minhas vivências, deixo a minha história, pode não ser a melhor, mas é a minha e isso nunca, mas mesmo nunca, ninguem me poderá tirar, mesmo aqueles que apenas são passageiros dela.
Seja numa letra desordenada, num jeito sem sentido, numa mistura de ideias vagas e perdidas, num desassossego constante, pelo menos sei que o amanhã, o amanhã vago e imprevisível, pode sempre abraçar um dos meus sonhos, até amanhã...

Gonçalo Camões
14/08/2010

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Obstáculos.


Passamos a vida a tentar ser perfeitos... quando era criança e o meu brinquedo se partia, o mundo dava-me um novo quase de seguida, chorava, mas depois voltava a sorrir, claro isto porque eu tinha essa sorte, outros já não tanto, mas esses outros não viveram no embuste sobre o qual eu estive presente durante muito tempo e agora eles sabem como é a vida e sabem como lutar, eu não, porque ninguém me preparou, até porque a educação é algo que passa de geração para geração, claro que sofre reformas, essas são necessárias, mas há padrões que se mantêm e no meu caso foi o estar habituado a obter coisas facilmente, sem ter de me esforçar por elas, de facto o mimo deve ser o grave problema de uma família que apenas só se preocupa com aspectos fúteis e com o respeito ou o como saber comer a mesa, usar os talheres apropriados ou um registo de língua cuidado.
Hoje sobrevivo sozinho, ando a descobrir a realidade pelo meu próprio pé, até porque a consciência de uns já vai ficando descaracterizada, repare-se na minha figura paterna, afirma que está sem beneficios monetários, que a vida está complicada e temos de nos apertar, temos de tomar decisões e cortar em coisas, pois mais tarde as coisas hão-de melhorar. Eu olho para mim, vejo-me a trabalhar, a dormir pouco, doi-me o corpo, estou cansado, eu olho para ele, sem emprego, afirmando que não tem dinheiro, contudo não o vejo procurar um trabalho, em vez disso vejo-o negar-me boleia para o trabalho sabendo que estou atrasado com a desculpa de que se me levar já não aproveita nada do seu dia de praia, já não tem possibilidade de ir para lugares longinquos em que o sol abunda e as pessoas ficam com a pele escurecida devido às radiações solares, vejo-o pregar-me mentiras dizendo que vai para o Sul para casa de familiares, enquanto vejo fotos do mesmo em locais em que a estadia é paga e que por acaso eu conheço bem, visto que passava lá as minhas férias em criança... ninguém nos prepara para isto, ninguém nos prepara para o engano ou mentira que é a vida.
Como se não bastasse eu tenho de lidar com os meus problemas, tenho de lidar com os problemas que me vão gerando, sim porque eles são a causa prioritária dos meus problemas, uma familia irresponsável, agora eu não tenho vida própria e mais uma vez aos meus dezoito anos, estou irreversívelmente parado no tempo, as minhas aspirações pararam no tempo, pedi ajuda a essas figuras patentes desde a minha existência, pedi apoio e agora o que eu vejo, não é apoio são pontapés atrás de pontapés no cansaço físico e psicológico que se vai abatendo sobre mim.
Eu dou parte de mim aos outros, às vezes esqueço-me de mim próprio só para poder oferecer o meu tempo às pessoas que amo, depois quando descubro coisas chega quase a ser tarde como por exemplo o facto de estar doente, aí já é tarde demais, aí já tenho atenção, mas nem a atenção pode ser suficiente, porque bem eu já tenho dezoito anos, tenho de saber ultrapassar barreiras sozinho, tenho de saber dirigir-me a um hospital sozinho, sim porque as pessoas têm tempo limitado e quando o veternário chama é necessário ir ver como estão os animais, e eu tenho de ir para o hospital sozinho, até porque a vida de um bovino, ultrapassa a vida de um ente familiar.
Onde fiquei eu? Não sei, mas talvez um dia eu diga adeus a tudo e já que estou sozinho nesta luta, comece a lutar pela minha vida em vez de lutar por uma familia.

Gonçalo Camões
6/08/2010

P.S.
Tenho saudades da minha avó, ela dava valor à familia.
6/08/2003 - Estarás sempre comigo avó.
Dedico-te o meu sorriso.

domingo, 1 de agosto de 2010

Ternura descalça.





Os seus pés descalços caminham sobre a areia, lá vai ela, surge com o cabelo ao vento de jeito inocente, as suas feições transparecem alegria... em areia caminho eu, distante de tal lugar, de tal pessoa, sem uma única palavra, provavelmente merecido... e hoje a ferida abre.
Volto-me a perder por enredos que não saram, ficam estagnados num ponto e por mais que a sapiência me tente ajudar a procurar uma resposta, uma direcção não há um fio a que me possa agarrar. Triste.
Ela segue a vida sem palavras, brilha lá noutros lugar distantes em que a alma fica em paz, torno-me monstruoso, sinto-me assim, odeio sentir-me assim, mas a verdade é que errei, agora pago por esse mesmo erro, porque na minha mente tonta e preguiçosa eu acredito no amor, acredito que é possivel apagar o passado, ou melhor aprender com ele e ultrapassar barreiras ou obstáculos, contudo as coisas não me surgem assim. Não vou pedir mais desculpa, o mal foi feito, fez-me crescer, só o tempo dirá como são as coisas, embora eu já esteja a prever o futuro, porque as palavras levou-as o vento.
Ando só nesta praia, divago em histórias, olho o mar, sinto-me em paz, mas ele é tão feio, tão indolente, tão idiota, tornou-se no meu espelho! Não grajeio nada, não me é destinado, pessoas que cometem erros como eu acabam sempre por perder as coisas mais importantes, não é por falta de batalha, eu luto, mas nesta batalha somos dois e a minha palavra não tem credibilidade.
Nestas horas vagas o oceano já não me sorri, ela já não me sorri, o meu sorriso foi-se e a minha vida passa como grãos de areia por uma mão, parece que estou preso num romance em que o final é indesejadamente desafortunado.
Agora já não oiço aquele pequeno sussuro - "Quina Baby" - ou a gargalhada tonta que tanto me faz sorrir, desapareceu ou simplesmente perdeu-se.
O meu medo tornou-se real, pelo menos assim ele se aprensenta, somos amigos, talvez nem tanto, parece que a afugentei.
Vou deixá-la percorrer a praia, eu... eu fico-me pelo dormir, porque pelo menos aí a realidade costuma fugir...

Gonçalo Camões
2/08/2010

P.S.
Amo-te